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Região 2 de fevereiro de 2021

Covid-19: Misericórdia de Vila de Rei também não respeita Plano de Vacinação Nacional

Por: Diário Digital Castelo Branco

A Direção da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei incluiu, nas listas para receber a vacina contra a Covid-19 , membros dos seus Órgãos Sociais, os quais não são na sua maioria assalariados da instituição nem têm qualquer função que envolva o contacto direto com utentes, profissionais internos ou externos dos lares detidos pela mesma.

Segundo a informação enviada ao Diário Digital Castelo Branco (DDCB), este caso configura especial violação por não se tratarem de pessoas incluídas nos grupos de risco associados à 1ª fase do Plano de Vacinação Nacional, pondo a nu diversas situações ilegais, nomeadamente, listas que foram efetuadas com a intenção de incluir pessoas fora dos grupos de risco, violando as diretrizes nacionais. Listas que foram propostas pela Mesa Administrativa, contendo membros de Órgãos Sociais, configurando uma potencial prática de tráfico de influências para obtenção de ganhos/favores futuros. Listas que não incluem profissionais administrativos, do armazém central e externos aos lares (responsáveis pela reposição de stocks, tratamento de roupas sujas, manutenção de instalações), e que entram nas diversas instalações, podendo constituir um elemento difusor do vírus entre as diferentes unidades e estando também eles muito expostos ao mesmo.
A denúncia chegada à redação do DDCB refere que qualquer destas pessoas tem mais contacto direto com os profissionais internos dos lares que qualquer membro dos Órgãos Sociais. 
As listas foram aprovadas pela entidade/pessoas responsáveis a nível local, num concelho pequeno (pouco mais de 3 000 habitantes, segundo os últimos Censos) onde as pessoas se conhecem praticamente todas. 
As pessoas vacinadas foram Maria Irene da Conceição Barata Joaquim, Provedora da Mesa Administrativa.
Maria Celeste Leitão Rodrigues da Costa, Vice-Provedora da Mesa Administrativa.
Américo Bernardino, Tesoureiro ou evetualmente 1º Secretário da Mesa Administrativa e empresário com alguma expressão local.
Manuel António Domingos, Vice-Presidente da Mesa da Assembleia Geral e empresário com bastante expressão no concelho. Helena Cruz, possivelmente 2ª Secretária e esposa de Fernando Cruz, médico e Coordenador da Unidade Local de Saúde de Vila de Rei.
Os cargos das pessoas enunciadas foram extraídos da única lista proposta a eleição em dezembro, para o Quadriénio 2021/2024, presente no site da entidade (http://www.scmviladerei.pt/wp-content/uploads/2020/12/Lista_1.pdf ) e por comparação com a ordem da mesma comparativamente com os Órgãos Sociais anteriores (http://www.scmviladerei.pt/orgaos-sociais/).
Acontece que, face à situação do país, onde em termos macro os profissionais de saúde do setor privado não foram ainda todos vacinados, muitos deles em contacto direto com doentes infetados com Covid-19, e ao nível do concelho de Vila de Rei os próprios bombeiros também não receberam qualquer dose, o abuso identificado ganha ainda maior expressão.
O caso tem até tons de ironia, um pouco mórbida, por a instituição em causa ser uma entidade católica, reconhecida como Pessoa Coletiva de Utilidade Pública, e que visa o "serviço e apoio com solidariedade a todos os que precisam", segundo consta no próprio site.
Conclui-se portanto que a falta de organização e controlo da situação por parte do Governo e das entidades regionais deixa abertura para, à boa maneira portuguesa, promover comportamentos de corrupção, compadrio, falta de ética, atropelo do princípio de boa fé e, acima de tudo, puro egoísmo para com o próximo, quiçá de forma propositada para deixar margem para que os que "comem mais" sejam novamente os primeiros a ter acesso ao que não lhes pertence (ainda) por direito.
"Faz-se a presente denúncia acreditando ser um dever cívico e pedindo uma investigação séria a quem tenha mais capacidade e responsabilidade que eu" conclui a denúncia.
A Direção da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei exerceu direito de resposta e afirma que "A Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei, enquanto Instituição Particular de Solidariedade Social, tem por missão zelar e cuidar de todos os seus utentes, fazendo um trabalho contínuo e 
exaustivo, juntamente com os seus trabalhadores, para que todos sejam cuidados com a máxima dignidade.
No âmbito da pandemia que nos assola, a Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei tem procurado, mais do que nunca, proteger e cuidar dos seus utentes e colaboradores, evitando situações de contágios e de cadeias de transmissão e cumprindo escrupulosamente todas as 
diretivas e recomendações das autoridades de saúde.
Quanto ao processo de vacinação que já se iniciou na nossa Instituição, este foi articulado com as autoridades competentes, tendo sido elaborada uma lista de pessoas aptas a tomarem a vacina contra a SARS COV 2, em caso de se verificar excedente das mesmas. Tal lista foi elaborada  tomando como único critério a idade e incluía não só membros dos órgãos sociais da Instituição, mas também colaboradores dos serviços externos, secretaria, creche e do serviço de apoio domiciliário.
Importa deixar dito, para que todos os leitores tomem conhecimento da verdade, que não foi ministrada a vacina às Senhoras Provedora e Vice-Provedora, que não constavam tão-pouco da dita lista, pelo que é falso o que se deixa dito na denúncia publicada no Diário Digital de Castelo 
Branco (DDCB), no dia 02 de fevereiro de 2021.
A Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei lamenta que não tenha o DDCB, ao receber a dita “denúncia”, procurado obter esclarecimentos junto da N/Instituição para apuramento dos factos, bastando-se a dar “voz” a denúncias infundadas e caluniosas, que mais não pretendem do que denegrir o bom nome e a imagem da nossa Instituição.
Efetivamente, a SCMVR desmarca-se de todos os comportamentos que denotem “corrupção, compadrio, falta de ética, e atropelo do princípio de boa fé”, motivo pelo qual todo o processo de vacinação contra a Covid-19 se pautou pela transparência, tendo sido articulado com as autoridades competentes", conclui o texto da direcção da Santa Casa Vilarregense.
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