Por: Diário Digital Castelo Branco
A oposição na Câmara de Castelo Branco, o SEMPRE e o PSD, têm visões diferentes face ao primeiro ano de mandato autárquico liderado pelo PS, com os primeiros a falarem de “perda de influência política” e os segundos a realçarem “o diálogo e bom senso”.
“O primeiro ano do atual mandato fica marcado no essencial por três pontos: incapacidade de concretização, desnorte estratégico e a perda de influência política para defender o concelho [de Castelo Branco], bem como conseguir decisões políticas que apoiem o concelho no seu desenvolvimento”, afirmou à agência Lusa o ex-presidente e vereador do Movimento Independente - SEMPRE, Luís Correia, sobre o balanço do primeiro ano do mandato autárquico de Leopoldo Rodrigues.
O vereador do SEMPRE, num depoimento escrito enviado à Lusa, salientou a “inexistência de investimentos estruturantes” para o concelho, bem como “um conjunto de decisões erradas tomadas ao longo deste ano”.
“São exemplos desta incapacidade o orçamento para o ano 2022 irrealista e mal elaborado, a incapacidade de concretizar uma reestruturação dos serviços do município. Reestruturação esta que apenas levava ao aumento desmesurado de chefias e direções. E ainda a incapacidade de executar o regulamento de apoio às associações do concelho, levando o município para um imbróglio desnecessário”, salientou.
Luís Correia sublinhou ainda o “desnorte estratégico” do atual executivo socialista.
Este desnorte “fica demonstrado com um conjunto de opções que representam temas do passado e não uma visão de futuro do concelho, que se tem consubstanciado na perda de dinâmica do concelho, sobretudo perda de dinâmica económica e cultural”.
A incapacidade de atrair investimento e criar postos de trabalho é outro dos pontos realçado pelo vereador do SEMPRE.
“Aquilo que foi a concretização de diversas políticas, nomeadamente económica, social, cultural, educativa, que se interligavam na concretização de uma estratégia de futuro, com resultados já visíveis, deixou de existir”, frisou.
Por último, Luís Correia falou da “perda de influência política” de Castelo Branco, que tem facilitado “a tomada de decisões que não beneficiam e até ameaçam” o futuro do concelho.
“Em apenas um ano, assistimos a três ameaças, nomeadamente a opção de concretizar o IC31 sem ser em perfil de autoestrada (aliás através de requalificação de uma estrada nacional), contrariamente à promessa do PS, e, ainda por cima, com o beneplácito deste partido em Castelo Branco”, realçou.
Luís Correia realçou também a “possibilidade” de se vir a verificar o encerramento da maternidade do Hospital Amato Lusitano, em Castelo Branco.
Neste caso, diz que se está a assistir “a uma falta de reação por parte do executivo socialista na defesa do Hospital Amato Lusitano”.
A perda da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC), através de mais uma concentração de serviços em Coimbra, é outra das situações realçadas.
“Mas grave foi também ver o executivo socialista aceitar de forma impávida esta medida. A atitude perante estas ameaças demonstra a incapacidade de influência política junto do governo e dos decisores políticos a nível nacional”, concluiu o vereador e presidente do SEMPRE.
Já o vereador do PSD destacou as “muitas propostas” que apresentou e que foram aceites pelo executivo liderado pelo PS ao longo deste primeiro ano de mandato de Leopoldo Rodrigues.
“Foi com agrado que constatei que muitas destas propostas foram aceites pelo executivo, o que prova que com diálogo e bom senso é possível tomar as melhores decisões em função dos interesses dos munícipes”, sublinhou.
João Belém disse que analisou sempre todas as situações que foram apresentadas e tomou decisões de acordo com a sua consciência e da “forma mais justa e correta” para os munícipes.
O vereador social-democrata relembrou que a política “é resolver os problemas das pessoas”.
Mas, para que isso aconteça e resulte, “deverá existir bom senso e ponderação de todas as partes envolvidas nas decisões a tomar”.
“É fundamental perceber que são as pessoas que fazem a diferença e é para elas que temos de trabalhar”, concluiu.
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