Por: Diário Digital Castelo Branco
O movimento independente Abraçar Penamacor, com dois vereadores eleitos no executivo municipal, exige que o presidente da Câmara peça “de imediato” a suspensão do mandato, por ter sido acusado pelo Ministério Público de crimes de prevaricação e falsificação.
A posição deste movimento surge depois de ter sido tornado público que o Ministério Público (MP)acusou o presidente do Município de Penamacor, António Luís Beites (PS), de um crime de prevaricação de titular de cargo político e de outro de falsificação de documento, devido a um ajuste direto relativo a obras que já estariam feitas.
Numa reação enviada à agência Lusa, o movimento independente salienta que o exercício de cargos políticos “exige idoneidade, seriedade e honestidade, primando pelo sentido de serviço público e não por interesses particulares”, pelo que, perante a acusação”, defende que o autarca deve apresentar “de imediato” um pedido de suspensão do mandato, até que seja proferida decisão judicial”.
Citando as notícias vindas a público, aquele movimento considera que a “situação é insustentável, pelos prejuízos que acarreta para a imagem do concelho de Penamacor, para a credibilidade da autarquia, bem como pelos efeitos que inevitavelmente provoca nas condições políticas e operacionais na gestão do município”.
“Esta convicção faz ainda mais sentido hoje, 09 de dezembro, data em que se comemora o Dia Internacional contra a Corrupção, adotado pela Assembleia Geral das Nações Unidas”, acrescenta.
Além do presidente da Câmara de Penamacor, que está a cumprir o terceiro mandato, foram acusados pela prática dos mesmos crimes o ex-chefe de divisão do departamento de obras e uma técnica do município, bem como o sócio-gerente e um funcionário da Sociedade António J. Cruchinho e Filhos, à qual foi atribuída a empreitada.
O MP considera que os arguidos agiram em coautoria para “encenaram” e “simularam” os trâmites legais do procedimento para a repavimentação de uma estrada e para a reparação do caminho de acesso à Reserva Natural da Serra da Malcata.
De acordo com a acusação, a que a Lusa teve acesso, a estrada e o caminho foram alvo de uma intervenção entre 2014 e 2015, mas não foi feita qualquer obra no âmbito do ajuste direto, realizado em 2018.
O MP considera que aquela empreitada, no valor de quase 158 mil euros, “não foi efetivamente prestada” e que o procedimento foi fabricado”, mais não sendo do que “um mero simulacro”, destinado a dar a “aparência” da execução.
Em caso de condenação, o MP pede a perda de mandato (atual ou futuro) para António Luís Beites e a proibição do exercício de funções públicas para a atual funcionária e o ex-funcionário do município, bem como a proibição da celebração de contratos com qualquer entidade pública para a empresa.
Contactado pela agência Lusa, António Luís Beites garantiu que vai manter-se em funções. Relativamente à acusação não quis fazer comentários.
O executivo camarário de Penamacor, no distrito de Castelo Branco, é constituído por três eleitos pelo PS e dois pelo movimento Abraçar Penamacor.
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