Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Emanuel Augusto dos Santos, antigo secretário de Estado Adjunto e do Orçamento de José Sócrates, acusou hoje a Justiça de atuar por iniciativa dos governos, a propósito das notícias de buscas relacionadas com as Parcerias Público Privadas (PPP).
Emanuel Augusto dos Santos, antigo secretário de Estado Adjunto e do Orçamento de José Sócrates, acusou hoje a Justiça de atuar por iniciativa dos governos, a propósito das notícias de buscas relacionadas com as Parcerias Público Privadas (PPP).
Foi noticiada esta terça-feira ao final do dia a realização de buscas judiciais ao ex-ministro das Finanças Teixeira dos Santos e ao antigo presidente da Estradas de Portugal Almerindo Marques, no âmbito das PPP.
"Dois anos é imenso tempo", referiu, numa alusão aos factos em causa, considerando que "tanto a não atuação [há dois anos], como a atuação tardia, significa que poderá haver iniciativa de outro poder para que a Justiça atue".
Ou seja, "estas buscas não validam este quadro [de separação de poderes] que gostaria de ter no meu país", frisou.
Reconheceu não ter "elementos factuais" que permitam "afirmar taxativamente que é assim", mas a ilação que "legitimamente" tira "é esta".
O ex-governante e consultor do Banco de Portugal falava durante uma conferência na Universidade da Beira Interior (UBI) sobre a consolidação orçamental e o crescimento económico.
Questionado no final pela agência Lusa, disse haver "a impressão" que a justiça "atua depois de o poder executivo ter incentivado a que isso acontecesse", tendo em conta "a forma tardia" de agir, "depois das argumentações que foram ouvidas ao nível político e do executivo".
"Não se vê que tenha sido uma iniciativa original do poder judicial, porque o poder executivo falou primeiro", sublinhou.
O antigo governante considera que a situação é "grave", mas não inédita, apontando-a como "recorrente ao longo destes anos".
"Há tantos episódios em que a Justiça tem atuado de forma tardia" que "os portugueses habituaram-se a esta situação e é pena que assim seja", concluiu.
A conferência na UBI serviu para apresentar o livro "Sem Crescimento Não Há Consolidação", de Emanuel Augusto dos Santos.
Durante o evento, o ex-governante defendeu que a Europa deve incentivar políticas de crescimento económico nos países periféricos como solução para a crise, em vez de impor austeridade.
Como exemplo, sugeriu que a União Europeia financiasse o comboio de alta velocidade (TGV) em Portugal, sem necessidade de o país "gastar um tostão", apontando-a como uma medida de estímulo estratégica para Portugal e para o continente.
"Não é com uma penitência" através de "empobrecimento progressivo" que a crise de resolve, ironizou.
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