Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
“Se alguém tem feito tudo para que Portugal recorra ao Fundo Monetário Internacional é o engenheiro Sócrates, que conseguiu ser de muito longe o pior primeiro-ministro em matéria financeira que nós alguma vez tivemos, desde o famigerado governo do doutor António Maria da Silva”, que governou Portugal entre fevereiro de 1922 e novembro de 1923, afirmou António Nogueira Leite.
O economista reagia ao discurso de José Sócrates, após as eleições do Partido Socialista que terminaram com a sua reeleição como secretário-geral, onde o atual primeiro-ministro acusou o PSD de já se ter rendido ao FMI e de pretender de forma “disfarçada” impor a sua agenda “liberal” através da intervenção daquela instituição.
Para Nogueira Leite, o discurso foi “muito violento” e demonstrou que o primeiro-ministro “tentou o mais possível alijar as responsabilidades que tem na situação do país”, passando-as “para cima de terceiros”, e neste caso, o PSD.
“Eu percebo que o primeiro-ministro que conduz Portugal a uma situação de pré bancarrota, que apenas tem paralelo com a situação de 1928 ou 1892, queira alijar o máximo de responsabilidades para cima de terceiros e escolheu o PSD, principal partido da oposição, como alvo desta tentativa de redução de responsabilidades”, disse.
Para o economista, José Sócrates estará a criar “uma mistificação”, uma vez que o FMI faz parte do mecanismo de resgate europeu como ele está concebido, aproveitando-se da memória dos portugueses dos ajustamentos (através de intervenções do FMI) de 1977 e 1983.
“O grande problema que nós temos é de uma equipa que desde 2009 falha rotundamente, sucessivamente, e continuamente todas as promessas que faz aos portugueses, à Assembleia da República, aos credores e aos parceiros. […] Eu já sei que esta equipa não é credível e compete agora ao doutor Passos Coelho mostrar que tem uma equipa credível e que tem uma proposta credível, e eu tenho desafiado o meu partido a mostrá-lo e espero que seja capaz de o mostrar rapidamente”, acrescenta.
O também membro do Conselho Nacional do PSD relembra ainda que foi noticiado que o próprio Programa de Estabilidade e Crescimento apresentado “não foi feito pelo Governo, mas sim essencialmente pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu, e apresentado pelo Governo”.
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