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Cultura 18 de fevereiro de 2014

Consideraram entregar a Castelo Branco coleção de Arte Bruta e Singular Única da Península Ibérica

Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa

A Oliva Creative Factory recebeu centenas de obras que, cedidas ao município de S. João da Madeira por colecionadores internacionais, permitirão criar o "único museu da Península Ibérica com uma coleção de Arte Bruta e Singular".

A Oliva Creative Factory recebeu centenas de obras que, cedidas ao município de S. João da Madeira por colecionadores internacionais, permitirão criar o "único museu da Península Ibérica com uma coleção de Arte Bruta e Singular".

Com inauguração prevista para maio, a mostra irá apresentar ao público cerca de 250 obras selecionadas entre as mais de 800 que António Saint Silvestre e Richard Treger foram adquirindo ao longo das últimas quatro décadas e agora entregam à tutela da autarquia.

O espólio dos dois colecionadores radicados em França inclui um núcleo contemporâneo, outro de Arte Singular e um terceiro de Vudu do Haiti, mas Saint Silvestre realça que é Arte Bruta ou Marginal, com as suas obras de doentes psiquiátricos e criadores fora do "mainstream", que "agora está na moda e representa um filão por explorar".

"Este sempre foi um género relativamente desconhecido porque as pessoas não o compreendiam, mas, de repente, as revistas intelectuais não falam de outra coisa", explica o colecionador, referindo que a Arte Bruta esteve em destaque na Bienal de Veneza de 2013 e será agora motivo de outra grande mostra no MOMA de Nova Iorque.

"Como o mercado está esgotado de tanta arte conceptual, as pessoas passaram a dar mais valor a estes autores, que estão fora do sistema, não ligam às convenções e só fazem o que realmente lhes apetece", acrescenta Saint Silvestre.

"Sem concorrência a sul do rio Loire", a Oliva reunirá assim num único espaço pinturas, esculturas, instalações e outros formatos assinados por "outsiders" de referência como Henry Darger e Giovanni Podestá.

Antes de decidirem fixar a coleção em S. João da Madeira, os proprietários dessas obras ainda consideraram entregá-las a Guimarães, Portalegre, Loulé ou Castelo Branco, mas dois fatores terão assegurado a opção pelo edifício da antiga metalúrgica. "Fomos totalmente seduzidos pelo [antigo presidente da Câmara] Castro Almeida, que parece ser o único político em Portugal com os pés assentes no chão e a cabeça como deve ser, e ficámos apaixonados por este espaço todo da Oliva, que é simplesmente fantástico", revela Saint Silvestre.

"Como não temos herdeiros a quem deixar a coleção, achámos que o melhor era entregá-la a um espaço público como este, onde toda a gente a pode ver", complementa Richard Treger, realçando que “a Oliva tem um grande potencial de crescimento e isso vai ajudar à divulgação da Arte Bruta, que irá cativar o público à medida que as pessoas forem descobrindo como ela é diferente".

Para Victor Costa, diretor do Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory, a entrada no país da Coleção Treger Saint Silvestre abre caminho, aliás, a "todo um campo de investigação inédito para as universidades portuguesas, que têm agora oportunidade de estudar em S. João da Madeira uma obra que não existe em mais lado nenhum".

Essa componente de investigação académica também deverá ser reforçada pelos intercâmbios que Richard Treger se propõe desenvolver com museus e galerias de outros países.

"Isso dependerá sempre dos recursos financeiros disponíveis, mas a intenção é fazer circular a coleção e também receber cá outras, para termos sempre um museu vivo", explica.

O presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, Ricardo Oliveira Figueiredo, reconhece que a conjuntura não é das mais favoráveis ao investimento na cultura, mas adianta que já estão a ser equacionadas soluções que facilitem essa itinerância.

"Vamos criar as condições para que as empresas possam participar neste projeto na condição de mecenas", disse.

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