Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
“Há sempre quem queira olhar para as coisas e vê-las com más intenções”, reagiu José Sócrates a meio da sua visita ao Salão Internacional do Móvel de Milão, depois de os jornalistas o terem questionado se a sua visita, num momento em que se encontra demissionário, não poderá ser encarada como um ato de pré-campanha eleitoral.
Pelo contrário, segundo o líder do executivo demissionário, ao deslocar-se a este certame internacional, em que estão presentes 32 empresários portugueses do ramo do mobiliário, a sua intenção foi a de “estar ao lado dos portugueses que estão a dar o seu melhor pelo nosso país”.
“É importante que eles [empresários exportadores] sintam que há um Governo que está ao seu lado e que os portugueses estão atentos ao que os empresários fazem, em particular no domínio da exportação”, alegou o primeiro-ministro.
Os jornalistas perguntaram então ao primeiro-ministro se um executivo, apesar de se encontrar demissionário, deve manter o ritmo normal de atos oficiais no estrangeiro.
“Sim, [é] um Governo em gestão. Também faz parte das nossas obrigações”, respondeu aos jornalistas, antes de fazer uma alusão ao que se transmite na comunicação social sobre o momento atual do país.
“Que as más notícias sejam também notícia; mas que as boas notícias não sejam escondidas. E há uma boa notícia que é a recuperação da indústria exportadora portuguesa, com 19 por cento de crescimento no mês de janeiro e 21 por cento em fevereiro”, apontou.
Já sobre o momento escolhido para visitar o Salão Internacional do Móvel de Milão, quando o país se encontra a negociar uma ajuda financeira com as autoridades europeias e do Fundo Monetário Internacional (FMI), Sócrates contrapôs aos jornalistas que “justamente neste momento” o seu dever é estar ao lado das pessoas “que estão a dar o seu melhor pelo nosso país”.
“Há uma indústria exportadora no nosso país que está a recuperar muito bem e a dar um contributo para melhoria da situação económica do país. Estou aqui para que eles [empresários] saibam que há gente que está atenta ao seu trabalho”, respondeu o primeiro-ministro, quando visitava um stand de empresários de Paredes.
Durante a visita à feira de Milão, José Sócrates falou em vários momentos de forma descontraída com os jornalistas, mas na maioria das vezes sobre design de artigos expostos em stands de empresários nacionais. Em momento algum aceitou responder a questões relacionadas com outros temas fora do âmbito da sua visita à maior cidade do norte de Itália.
Já perto do final do percurso, Sócrates dirigiu-se a algumas jornalistas e pediu-lhes a opinião sobre uma cadeira de jardim. Perante o silêncio das interpeladas, Sócrates disse estranhar a timidez dessas jornalistas, que momentos antes lhe pediam respostas sobre os mais variados assuntos.
Alguns metros atrás de Sócrates, entre os membros da sua comitiva oficial, diziam-se graças sobre casos da política doméstica - por exemplo, quando se passava por algum stand de armários, com alguém a interrogar-se quantos esqueletos estariam escondidos naquela gigantesca feira internacional do móvel de Milão.
“Esqueletos no armário” foi uma expressão usada quarta-feira pelo presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, no final de uma audiência com o primeiro-ministro, em São Bento, quando
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