Por: Diario Digital Castelo Branco
De 14 de fevereiro a 15 de maio, a autarquia de Vila Velha de Ródão promove, na Casa de Artes e Cultura do Tejo, a exposição de David de Almeida, A Ética da Mão - Gravura em retrospetiva.
De 14 de fevereiro a 15 de maio, a autarquia de Vila Velha de Ródão promove, na Casa de Artes e Cultura do Tejo, a exposição de David de Almeida, A Ética da Mão - Gravura em retrospetiva.
A exposição “A Ética da Mão”, esteve patente, de setembro a dezembro 2014, na Biblioteca Nacional, constitui uma retrospetiva do notável trabalho de gravura de David de Almeida e será inaugurada a 14 de fevereiro, pelas 16h, na Casa de Artes e Cultura do Tejo.
O autor David Almeida descobriu, em tempos, Vila Velha de Ródão e, inspirado nas gravuras do Tejo, realizou vários trabalhos com a sua original técnica e o seu apurado sentido estético, que agora podem ser observados nesta mostra.
Acompanhada de um catálogo com a reprodução das obras, a exposição é comissariada por João Prates, diretor do Centro Português de Serigrafia, e resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Vila Velha de Rodão e a Biblioteca Nacional de Portugal e o Centro Português de Serigrafia.
A mostra complementa-se com um conjunto de Livros de Artista, realizados pelo autor em cumplicidade com a palavra, incluindo colaborações com Manuel Alegre, Sofia de Mello Breyner, João de Melo, José Saramago e o espanhol Tomás Paredes. Tomando o papel como suporte, o artista eleva esse material a uma categoria superlativa. Longe da voracidade do livro digital, estes Livros de Artista, tal como as suas gravuras, foram feitos para serem tocados e folheados por mão humana. E com um sentido ético contemporâneo que respeita o valor da ancestralidade.
São apresentadas as obras que foram Prémio Nacional de Gravura da Fundação Gulbenkian em 1980 e várias gravuras premiadas desde então, muitas delas nunca antes expostas em Portugal. A mostra pretende ainda enaltecer o valor criativo desta técnica de que o artista era um dos expoentes.
As obras selecionadas distribuem-se por dois núcleos distintos: um intitulado Tempos, reúne obras do final dos anos 70 até à década de 90, em que o artista evoca o passado para o materializar e lhe restituir atualidade. O outro, Essência, permite a reflexão sobre a arte moderna, numa abordagem aparentemente minimalista, mas onde não deixam de estar presentes a marca humana e um certo olhar arqueológico.
Usando a forma de gravar por si criada, a partir do final dos anos 90, reduz ao essencial, num minimalismo ilusório, os elementos que elege como temas. Nesta época, inicia também um diálogo com a história de arte moderna e contemporânea, homenageando artistas que contribuíram para a sua formação estética. A obra, pautada pelo rigor mas humanizada, assenta numa geometria, interna e invisível, que a suporta.
A autarquia de Ródão ciente do papel determinante que a cultura e a preservação do património assumem junto da população continua a privilegiar os critérios de qualidade diversificando a oferta cultural do Município baseada numa programação abrangente e de proximidade.
No âmbito desta exposição o município de Ródão vai promover várias ações de divulgação, junto de diferentes públicos, para que esta mostra possa ser visitada e amplamente conhecida na região.
Informação adicional:
David de Almeida
Nascido em 1945, em São Pedro do Sul, David de Almeida frequentou a Escola António Arroio, onde fez o Curso de Gravador Litógrafo e a Gravura - Cooperativa de Gravadores Portugueses, onde estudou sob a orientação de Maria Gabriel.
Como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian estagiou nos Moinhos do Vale de Lagat, em França, e também com Stanley Hayter no Atelier 17, em Paris, começando a expor individualmente em 1976.
Está representado em coleções nacionais (Biblioteca Nacional e Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian) e internacionais: na Bélgica (Museu do Pequeno Formato de Couvin), Brasil (Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro), Espanha (Calcografia Nacional de Madrid), Estados Unidos, Macedónia, Marrocos, Iraque e Suécia.
Além do prémio conquistado em 2008 em Espanha, recebeu o Prémio Nacional de Gravura (1980), Prémio de Pintura na Bienal Internacional de Bagdad (1987), Prémio de Gravura na Bienal da Amadora (1992), entre outros.
Faleceu a 16 de outubro de 2014, vítima de doença prolongada.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet