Por: Diario Digital Castelo Branco
O tema “De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento” pôs frente-a-frente o português Francisco José Viegas e o espanhol José Manuel Fajardo.
O tema “De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento” pôs frente-a-frente o português Francisco José Viegas e o espanhol José Manuel Fajardo.
Portugal-Espanha poderia ser um jogo entre selecções de futebol, mas foi um frente-a-frente entre dois escritores. O português Francisco José Viegas e o espanhol José Manuel Fajardo discutiram as fronteiras entre os dois países, anuncia a rádio Renascença.
Na Biblioteca Muncipal de Castelo Branco no âmbito da terceira edição do Festival Fronteira, o público começou por ouvir o escritor espanhol que vive há anos em Portugal falar dos preconceitos que há na relação entre os dois países. Para José Manuel Fajardo, Espanha e Portugal “são como duas vizinhas de costas voltadas”. Para o autor de “O meu nome é Jamaica”, agora que vive em Lisboa e toca a realidade, “parece que estou em Espanha” e - conclui - os “preconceitos estão na cabeça”.
Francisco José Viegas, que recordou a sua vivência em Chaves durante 12 anos e falou da proximidade com Espanha, lembrou o seu primeiro livreiro galego. Para o autor de “O Mar em Casablanca”, “a existência de Espanha é muito importante porque temos alguém que nos ajuda a justificar a vocação atlântica”. O editor da Quetzal, que lembrou a Espanha como uma imensa cama, quando atravessava de comboio o país a caminho de Paris, sublinhou o facto de ainda hoje haver um certo desconhecimento mútuo sobre a literatura dos dois países.
Numa tarde de sol em Castelo Branco, o público que encheu sala da Biblioteca ouviu no “portunhol” de José Manuel Fajardo que Portugal e Espanha “estão a perder muito um do outro” quando desconhecem a literatura produzida nos dois lados da fronteira. Mas não é só nos livros que isto se passa, explica Fajardo. “Esse problema está a impedir muito do que poderia ser desenvolvido na política, economia e cultura ibérica”, afirma o autor nascido em Granada que termina afirmando que “temos de fazer um esforço para desconstruir este castelo de preconceitos”.
Lembrando com saudades o tempo em que se viajava e se ganhava carimbos no passaporte, Francisco José Viegas afirmou que esses carimbos davam ao viajante a noção de que “o mundo era interminável”. Depois, admitindo que estava a ter um “discurso irresponsável” e reconhecendo que “é inestimável a livre circulação”, Viegas explicou que “a grande vantagem de viver num país moderno é ter o atractivo de poder sair dele”. Contudo, para o autor é preocupante a noção de que tudo está a ficar igual para lá da fronteira.
Falando sobre a realidade espanhola, José Manuel Fajardo caracterizou o seu país como uma “invenção virtual que antecipou a internet” e questinou-se “Onde está Espanha? Em Madrid, não sei”. Para o escritor castelhano “Espanha é um país muito complicado” que só quer perceber olhando de longe.
Fajardo, que ultimamente se tem dedicado à tradução, lembrou que “as fronteiras serviram primeiro para impedir a passagem de pessoas”. Viegas respondeu que “viajar sem passar fronteiras não tem tanta graça”. José Manuel Fajardo encerrou a conversa alertanto para as barreiras que hoje Espanha está a colocar a quem quer entrar nas suas fronteiras vindo de países de expressão espanhola como Cuba, Venezuela ou Argentina.
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