Por: Diário Digital Castelo Branco
Penamacor recebe, nos dias 21 e 22 de novembro, o Festival Jaime Lopes Dias, para homenagear esta personalidade do século XX, natural do concelho, que teve um papel fundamental na preservação da etnografia musical da Beira.
Organizado numa parceria entre a Câmara de Penamacor e a Junta de Freguesia do Vale da Senhora da Póvoa (terra natal de Jaime Lopes Dias), o evento decorrerá em formato 'online' e também pretende ser "uma ação de enaltecimento do vastíssimo património cultural do concelho de Penamacor e daquela freguesia", explica o município, no distrito de Castelo Branco, em nota de imprensa.
De acordo com a autarquia, "o expoente máximo do programa será um concerto de criação musical, com base nas recolhas de Jaime Lopes Dias, publicadas na sua obra Etnografia da Beira".
Com a participarão de vários músicos locais, o concerto terá coordenação de Sebastião Antunes e poderá ser ouvido em casa, através da página de Facebook do município, ou das janelas das casas dos habitantes da freguesia.
O programa arranca no dia 21, às 10:00, com a abertura oficial e a inauguração de uma exposição sobre a vida e obra do patrono do festival, da autoria de alunos do Agrupamento de Escolas Ribeiro Sanches.
Para as 11:00 está marcado o workshop de gastronomia "Azeite e caça na cozinha contemporânea", a cargo do chef Valdir Lubave, seguindo-se, às 14:30, o workshop de cultura "Azulejaria - A arte de decorar o azulejo", a cargo de Maria do Carmo Azevedo.
Do programa consta ainda as apresentações, às 15:30, dos artesãos de Penamacor António Gonçalves, Armando Vinagre, Elizabete Pelicano e Maria do Carmo Azevedo, enquanto às 16:30 decorre a atividade "A vida de um adufe - Da pele à música", seguindo-se, às 17:40, o teatro popular com Paulo Laranjo, da Casa da Cultura da Orada.
Para as 21:30 está marcado o concerto de música tradicional "Etnografia da Beira à voz do século XXI", com coordenação de Sebastião Antunes e com interpretações de Alcina Cruchinho, António Supico, Carlos da Aira, Daniel Real, Gonçalo Santos, Pedro Domingues, Rúben Páscoa e a Banda Filarmónica de Aldeia de João Pires.
Já no dia 22, pelas 10:00, decorre a conversa aberta "Jaime Lopes Dias - o papel dos etnomusicólogos dos séculos XX e XXI na salvaguarda do património imaterial", com José Alberto Sardinha, Pedro Salvado e Tiago Pereira.
O evento terá em conta todas as medidas de segurança propostas pela Direção-Geral da Saúde, relativamente à covid-19, "garantindo-se a saúde e segurança de todos os participantes, músicos e staff", asseguram os promotores.
A nota de imprensa sublinha que Jaime Lopes Dias (1890-1977) nasceu em Vale de Lobo (atual Vale da Senhora da Póvoa) e que foi um etnógrafo, escritor e historiador português.
Em 1912, licenciou-se em direito pela Universidade de Coimbra e, no decorrer do seu percurso profissional, exerceu cargos públicos em diversas instituições e publicou várias obras sobre a região, designadamente "A Etnografia da Beira", publicada em 10 volumes.
Jaime Lopes Dias foi Oficial do Registo Civil de Penamacor (1912), Notário de Idanha-a-Nova (1914), administrador do concelho de Idanha-a-Nova (1915 a 1916), bem como Juiz Presidente do Tribunal de Desastres no Trabalho de Castelo Branco (1919 a 1921), Secretário-Geral do Governo Civil de Castelo Branco (1921 a 1926). Participou em diversas diligências regionalistas como a instalação do Museu Tavares Proença Júnior , a direção do Boletim da Casa das Beiras e da Revista das Beiras. Foi ainda vereador da Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, fundou o Sindicato Agrícola e a Caixa de Crédito Agrícola de Idanha-a-Nova, fez a campanha para a criação de um Posto Agrário em Idanha-a-Nova, assim como foi professor do Liceu de Castelo Branco, presidente da Comissão Agrícola da 55ª Região, adjunto do diretor-geral da Administração Política e Civil do Ministério do Interior, bem como vogal do Conselho do Cadastro do Instituto Geográfico e Cadastral.
Foi também responsável por dirigir e colaborar em diversas publicações da região de Castelo Branco e Lisboa.
Além disso, muitas obras promovidas no Vale da Senhora da Póvoa durante o século XX tiveram o seu apoio, como aconteceu, por exemplo, com a construção da igreja, da Alameda dos Balcões e da cantina escolar.
A iniciativa insere-se no Programa Beira Baixa Cultural, promovido pela Comunidade Intermunicipal (CIM) da Beira Baixa e municípios integrantes, e é cofinanciada por fundos comunitários, através do Portugal 2020
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