Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
A criação de um programa Polis para as economias regionais e de uma remuneração pelos recursos naturais disponibilizados foram duas ideias hoje defendidas por deputados do interior em prol da coesão territorial.
A criação de um programa Polis para as economias regionais e de uma remuneração pelos recursos naturais disponibilizados foram duas ideias hoje defendidas por deputados do interior em prol da coesão territorial.
Carlos São Martinho (PSD) e Fernando Serrasqueiro (PS), eleitos para a Assembleia da República pelo círculo de Castelo Branco, falavam na conferência "Portugal: a soma das Partes - As economias regionais como fator de desenvolvimento", que decorreu naquela cidade.
A iniciativa foi organizada pela Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, em parceria com a TSF e o Diário de Notícias, e tem decorrido em vários pontos do país.
O socialista e ex-secretário de Estado do Comércio defendeu a criação de um "Polis económico", semelhante ao programa de reabilitação de zonas urbanas que existiu há alguns anos, mas destinado a criar riqueza em zonas específicas.
Apontando como exemplo o seu próprio distrito, Fernando Serrasqueiro confessou não acreditar que seja possível "salvar todas as aldeias" da região, mas destacou a importância de criar "duas grandes manchas de desenvolvimento, em Castelo Branco e na Covilhã".
Na prática, este "Polis económico", estudado caso a caso, deveria incluir "apoios e incentivos à atividade económica, medidas de organização, formação, entre outras, com impacto para cativar iniciativas empresariais que dinamizem o território".
Já antes, no debate entre ambos, Carlos São Martinho tinha defendido que o interior "tem que ser remunerado pelos recursos naturais que cede ao resto do país, como a água ou a fixação de carbono".
O deputado acredita que é necessário compensar a região "por tudo aquilo em que não a deixam evoluir, para que a população massificada do litoral possa ter produtos de qualidade", seja de origem agrícola ou dependentes de recursos hídricos ou naturais.
O social-democrata acredita que nos próximos anos a legislação europeia vai obrigar a discutir este tipo de remuneração entre territórios e que "só quando Portugal for pensado assim, no seu todo, poderá ir além das taxas de crescimento económico de um por cento ao ano".
Ambos os deputados sublinharam as potencialidades do distrito de Castelo Branco nos setores florestal e agroalimentar, mas Fernando Serrasqueiro lamentou que não esteja feito um levantamento dos produtos agrícolas que Portugal ainda importa, mas pode passar a produzir.
Uma ideia reforçada pelo presidente da Câmara de Castelo Branco, Joaquim Morão, tendo em conta que "não se consegue criar uma indústria ou serviços em qualquer local: é preciso apostar no que é nosso, as terras e as gentes que lá estão, e é aí que temos que nos organizar".
Na conferência, o presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), Carlos Maia, defendeu que a qualificação e o Ensino Superior, em particular, será um fator crucial para tirar Portugal da crise.
Aquele responsável defendeu a reorganização "caso a caso" da rede de ensino superior, tanto ao nível de cursos, como de instituições e pediu "coragem política" para que 90 por cento das vagas de acesso Ensino Superior deixem de estar no litoral.
Receba as principais notícias no seu email e fique sempre informado.
© 2026 Diário Digital Castelo Branco. Todos os direitos reservados. Desenvolvido por Albinet