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Região 5 de junho de 2012

Castelo Branco: Estudo aponta para encerramento de serviços, HAL pode ficar sem neurologia e maternidade

Por: Cristina Valente

Um estudo pedido pelo Governo à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) aconselha o encerramento do serviço de neurologia e bloco de partos, no hospital Amato Lusitano de Castelo Branco.

Um estudo pedido pelo Governo à Entidade Reguladora da Saúde (ERS) aconselha o encerramento do serviço de neurologia e bloco de partos, no hospital Amato Lusitano de Castelo Branco.

No “Estudo para a Carta Hospitalar – Especialidades de Medicina Interna, Cirurgia Geral, Neurologia, Pediatria, Obstetrícia e Infeciologia” os peritos concluem que a especialidade de Neurologia deve ficar no Centro Hospitalar da Cova da Beira, Covilhã, “que deve dar apoio de ambulatório aos hospitais da Guarda e Castelo Branco”.

Quanto à especialidade de Obstetrícia o estudo defende que, “ A Covilhã deve concentrar os partos da ULS da Guarda e da ULS de Castelo Branco, mantendo-se nestes dois hospitais o apoio à vigilância da gravidez dos cuidados de saúde primários”, acrescentando que a manterem-se dois blocos de parto, em vez de apenas a Covilhã, deveria ser mantido o da ULS da Guarda (670 partos em 2011, em comparação com 465 partos da ULS de Castelo Branco no mesmo ano), que cobre população feminina de concelhos classificados com “média baixa” acessibilidade.

A ERS definiu no Estudo, pedido pelo Ministro da Saúde Paulo Macedo, cada uma das seis especialidades analisadas, quais as unidades hospitalares que deveriam ou não prestar a especialidade em causa, atentas às diferentes tipologias hospitalares.
A nível nacional, o Hospital da Póvoa de Varzim será o mais afetado, deixando de internar doentes na área de cirurgia geral e de pediatria, podendo perder também os partos.

Já os hospitais de São João da Madeira, Ovar, Chaves, Mirandela, Águeda, Torres Novas, Castelo Branco, Guarda e Barreiro, deixarão de assegurar duas especialidades, enquanto as restantes unidades hospitalares encerrarão apenas um serviço.

No documento, publicado na internet, é proposto que 26 unidades hospitalares, num universo de 95, sobretudo na periferia, fechem o internamento nas especialidades de medicina interna, cirurgia geral, pediatria e infeciologia. Os autores do estudo sugerem a extinção da neurologia em vários hospitais, e o encerramento, com cautelas, de cinco blocos de partos entre eles o de Castelo Branco.

O presidente da ERS, Jorge Simões, em declarações ao Expresso, reconhece que a versão final deste estudo ficou aquém, “porque muitas das mudanças apresentada só poderiam ficar ‘preto no branco’ com uma avaliação mas profunda” que não foi pedida pela tutela. Paulo Macedo, disse ao jornal que, “a seu tempo, após a conclusão dos debates haverá decisões, sendo certo que algumas mudanças podem ocorrer de forma gradual, por iniciativa dos centros hospitalares”.

O estudo divulgado no sábado, vai agora a discussão publica, esperando-se alguma contestação das populações atingidas pelo fecho de serviços. Paulo Macedo, já anunciou que, “dependendo dos contributos que venham a ser recolhidos, o ministério poderá ainda solicitar novas avaliações e propostas.”

Covilhã e Castelo Branco já estão a trabalhar em conjunto

As administrações da ULS de Castelo Branco e Centro Hospitalar Cova da Beira – Covilhã estão já a trabalhar em articulação com as 2 obstetrícias. Na próxima segunda-feira os dois chefes de serviço vão reunir-se para encontrar soluções e colmatar algumas falhas existentes no hospital de Castelo Branco.

“Não podemos ignorar que temos falta de especialistas” diz Vieira Pires, administrador da ULS de Castelo Branco , “os conselhos de administração têm estado em negociações para colmatar

essa falha com a vinda de obstetras do Hospital Pero da Covilhã, de forma a que o Amato Lusitano consiga ter um serviço a funcionar.”As duas unidades de saúde já chegaram a acordo noutras especialidades, “Otorrino e diálise ficam em Castelo Branco, hemoterapia e pneumologia na Covilhã” adianta Vieira Pires.

O objetivo, diz Vieira Pires, é que a população do distrito tenha um serviço de excelência, “para ter um serviço de excelência é preciso conjugar a parte técnica com a vontade das pessoas, só a vontade não chega. O que queremos é que as especialidades prestem serviços de excelência à população, algumas vão estar em Castelo Branco, outras na Covilhã, mas o objetivo é a excelência dos serviços”.

O administrador recorda, que as noticias agora avançadas, são feitas com base num estudo, que ainda vai a discussão e que carece de homologação, mas não esconde que podem haver contestações, nomeadamente na questão da sala de partos, “a maternidade é uma questão mais sensível” admite Vieira Pires.
 

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