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Região 14 de junho de 2012

Castelo Branco: Subdiretor da Escola Superior de Educação publica livro sobre inovação no sector têxtil-confeções

Por: Diario Digital Castelo Branco

Domingos Santos, docente e investigador da Escola Superior de Educação, acaba de publicar o livro “Dinâmicas Territoriais de Inovação no Arco Urbano do Centro Interior. O caso do sector têxtil-confeções”. 

Domingos Santos, docente e investigador da Escola Superior de Educação, acaba de publicar o livro “Dinâmicas Territoriais de Inovação no Arco Urbano do Centro Interior. O caso do sector têxtil-confeções”. Com a chancela das Edições Húmus, o livro “centra-se no estudo da relação entre a inovação e território, analisando essa problemática no quadro de uma área periférica portuguesa que foi historicamente marcada por uma forte presença da indústria têxtil-confeções, o designado Arco Urbano do Centro Interior (AUCI), que engloba os concelhos de Castelo Branco, Fundão, Covilhã e Belmonte.

O autor, atualmente a exercer o cargo de subdiretor da Escola Superior de Educação, procurou “tipificar o perfil de inovação empreendido por um determinado grupo de empresas do sector têxtil-confeções, bem como compreender de que modo é que as instituições que configuram o arquétipo organizacional de sistema regional de inovação estão a contribuir, ou não, para o aprofundamento dos patamares de competitividade empresarial e territorial”.

A análise efetuada por Domingos Santos permitiu avançar com algumas pistas de reflexão sobre a relação dinâmica entre a inovação e território e, por último, apoiar a formulação de um conjunto de recomendações que se julga poderem concorrer para o reforço de estratégias competitivas baseadas na inovação.

Para o docente do IPCB/ESE e, também, membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho, “as atividades industriais de têxteis e de confeções do AUCI sofrem, atualmente, do dilema de, em simultâneo, terem de se confrontar com a necessidade imperiosa de apostarem em novos fatores de competitividade, como a inovação e a qualidade” pelo que devem alargar e aprofundar “competências no plano da conceção, do know-how de mercado e controlo dos circuitos de distribuição e comercialização, apostando, designadamente em nichos de mercado”.

“Parece-nos, pois, fundamental que a fileira têxtil possa, coerentemente, enfrentar a passagem de um paradigma empresarial tradicional para um outro que é cada vez mais intensivo em conhecimento e em cultura relacional, quer pela aplicação da informática ao nível da conceção, fabrico e gestão da produção, quer pela importância crescente da inovação ao nível do produto, dos processos produtivos, da arquitetura organizacional, do marketing e dos canais de distribuição e comercialização – trata-se de verdadeiramente endogeneizar a inovação como eixo estratégico do posicionamento competitivo, deixando, em definitivo, de perceber a mudança tecnológica e organizacional como algo exógeno à própria atividade empresarial”, refere ainda Domingos Santos.

Outra das recomendações referidas pelo investigador é que “a sub-região precisa de assegurar a passagem gradual de um modelo que atualmente privilegia a subcontratação de capacidade para um outro, mais qualificado, de subcontratação de especialidade e de labelling próprio, de economias de escala para economias de gama, o que pressupõe um forte incremento de recursos humanos de maiores níveis de qualificação e a incorporação de níveis superiores de valor acrescentado”. Para isso defende, igualmente, ser “forçoso, intervir ao nível do enquadramento institucional público-privado (associações empresariais, centros tecnológicos e de I&D, sistema de educação e formação, etc.), criando as condições efetivas de articulação e apoio que permitam que a maioria das empresas do universo têxtil do AUCI consiga dar o salto qualitativo necessário à viabilização de médio-longo prazo dos seus projetos empresariais, otimizando o aproveitamento das externalidades tecnológicas e organizacionais possibilitadas pelo quadro territorial de inserção”.

Em conclusão, o autor defende que “o AUCI precisa de reequacionar o seu posicionamento competitivo, encontrando novas fórmulas que lhe permitam melhorar o seu padrão de inserção na moderna economia do conhecimento e da globalização dos fenómenos económicos, (…) aumentando o potencial de aquisição, difusão e aplicação de informação e conhecimentos, mas evitando, em todo o caso, a implementação de medidas tradicionais e avulsas de mera transferência de tecnologia; ampliando e diversificando o corpo de competências, e os respetivos mecanismos de aprendizagem, que se possam vir a enraizar no respetivo território, e permitam imprimir maiores níveis de competitividade e produtividade às atividades tradicionais, como os têxteis, criando simultaneamente capacidades acrescidas para fixar novas atividades inseridas em segmentos de maior procura mundial; estendendo e aprofundando as conexões com outras regiões do país e com locais específicos no exterior, não só com os sugeridos por uma vizinhança geográfica, mas também os que passam a ficar próximos pela partilha de interesses comuns e pelas possibilidades abertas pela rápida integração das economias ao nível global organizada em torno do paradigma de Economia de Redes, explorando, nomeadamente, as sinergias atinentes à inserção nos sistemas nacional e internacional de inovação”.

Domingos Santos é Licenciado em Engenharia do Ambiente (Universidade Nova de Lisboa, mestre em Planeamento Regional e Urbano (Universidade Técnica de Lisboa) e doutor em Ciência Aplicada ao Ambiente – Gestão do Território (Universidade de Aveiro). É docente da Escola Superior de Educação de Castelo Branco desde 1986, exercendo, atualmente, funções como subdiretor. No Instituto Politécnico de Castelo Branco desempenhou, igualmente, os cargos de vogal da Comissão Instaladora da Escola Superior de Tecnologia e Gestão, bem como de Director do Centro de Estudos e Desenvolvimento Regional. É membro do Centro de Investigação em Ciências Sociais da Universidade do Minho. Os seus interesses de investigação centram-se na análise da relação entre a inovação e território, nas políticas de fomento da inovação e no desenvolvimento local e regional. É coautor das seguintes publicações: Impacto das Reestruturações Produtivas nos Territórios – Iniciativa Empresarial, Emprego e QualificaçõesDos Projectos às Regiões Digitais – Que Desafios?Dinâmica Socieconómica da Fileira da Madeira em Concelhos do Pinhal Interior Sul – Uma análise através do conceito de meio inovador.

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