Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
Cerca de 300 pessoas concentraram-se hoje à porta do Centro de Saúde da Covilhã num protesto contra alterações na comparticipação de medicamentos para pensionistas dos lanifícios.
Cerca de 300 pessoas concentraram-se hoje à porta do Centro de Saúde da Covilhã num protesto contra alterações na comparticipação de medicamentos para pensionistas dos lanifícios.
A concentração foi organizada pelo Sindicato Têxtil da Beira Baixa (STBB).
Até agora, os pensionistas podiam levantar receitas sem pagar e as farmácias eram depois reembolsadas pelo Estado, mas a partir deste mês vão ter que abrir a carteira e esperar pela comparticipação.
Carlos Barata recebe cerca de 300 euros de pensão e todos os meses precisa de medicamentos no valor de 50 euros: "como é que eu tenho margem para esperar pelo reembolso", perguntava hoje de manhã.
António Alçada também contestou a medida e teme que os reembolsos voltem a atrasar mais de dois meses, como já aconteceu no passado.
Recebe 380 euros de pensão e a da mulher não passa dos 250, mas juntos precisam de meia-dúzia de medicamentos todos os meses, numa despesa "que vai para lá dos 50 euros".
Contas feitas, "é difícil pagar as despesas do mês e ainda ter dinheiro para os medicamentos", referiu à Lusa.
Segundo Luís Garra, o Governo publicou um despacho com as alterações "sem passar cavaco a ninguém" e lançando a suspeita "de que está a haver abusos no levantamento de medicamentos" nas farmácias.
No entanto, o sindicalista deixou um repto: "se há abusos, provem-no" e convidou a tutela a dialogar para resolver o assunto, porque "para muitos pensionistas com reformas de miséria, a alternativa é comprar os medicamentos ou ter comida na mesa".
A comparticipação total dos medicamentos é uma medida de que beneficiam cerca de 8.000 pensionistas que, até 1984, descontaram ao longo da carreira contributiva para o Fundo Especial dos Lanifícios.
Em maio de 2011 foi facilitado o acesso ao benefício.
Os pensionistas passaram a poder levantar os medicamentos nas farmácias sem terem qualquer custo, porque os reembolsos eram canalizados diretamente para as farmácias.
Mas "o Governo voltou atrás" e a partir deste mês "os beneficiários têm que pagar no ato da compra", criticou Luís Garra.
Para além da concentração, o presidente do STBB desafiou os participantes no protesto de hoje a preencher o livro de reclamações do Centro de Saúde da Covilhã, contestando a medida.
Segundo anunciou, vai ser lançado um abaixo-assinado contra as alterações e o assunto voltará a estar em discussão num debate sobre a temática da saúde agendado para dia 14 na sede do STBB, na Covilhã.
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