Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O escritor Raul Brandão, que nasceu no Porto, sonhou toda a vida com o fim da “exploração do homem pelo homem” e defendeu que o “supérfluo é crime”. Se estivesse vivo, celebraria esta terça-feira 146 anos.
O escritor Raul Brandão, que nasceu no Porto, sonhou toda a vida com o fim da “exploração do homem pelo homem” e defendeu que o “supérfluo é crime”. Se estivesse vivo, celebraria esta terça-feira 146 anos.
Filho e neto de homens do mar, Raul Germano Brandão nasceu, de olhos azul claro, a 12 de março de 1867, na Foz do Douro (Cantareira), na antiga rua da Bela Vista e que tem hoje o seu nome.
Prosador, ficcionista, dramaturgo, jornalista, publicista, historiador e pintor, Raul Brandão, uma figura imponente do alto do seu metro e 82 centímetros de altura, foi um homem tímido, atreito a depressões, o que afetou a sua carreira no exército, obsessivo, mas ao mesmo tempo bem-humorado e muito crítico. Morreu com 63 anos de idade, a 5 de dezembro de 1930, na sua casa de S. Domingos à Lapa, em Lisboa.
Numa entrevista à Lusa, no âmbito do 146.º aniversário de Raul Brandão, a professora de literatura portuguesa Universidade do Porto Maria João Reynaud destacou a “atualidade” e a "universalidade" do grande sonho de Raul Brandão, um desejo que manteve até à morte e que foi enunciado pelo próprio escritor nestes termos: “Espero pelo dia – mesmo na cova o espero – em que acabe a exploração do homem pelo homem”.
“Fonte insaciável de justiça”, fruto da observação da vida dos pobres, e que lutou por um imperativo ético e por um cristianismo genuíno, a professora universitária contou ainda que o autor de ‘Os Pescadores’ ou ‘As Ilhas Desconhecidas’ “pôs radicalmente em causa as conceções literárias vigentes” da sua época e abriu o romance à reflexão metafísica.
Brandão foi uma influência para escritores tão consagrados como Vergílio Ferreira, José Saramago, Maria Gabriela Lllansol, José Luis Peixoto ou Rui Nunes, lembrou Maria João Reynaud, considerando que o ex-Presidente da República portuguesa Mário Soares é “a figura política portuguesa herdeira do pensamento ético de Raul Brandão”.
A autora da tese baseada nas três versões da obra ‘Húmus’ (1926), que se intitulou ‘Metamorfoses de escrita: Húmus de Raul Brandão’, lembrou a universalidade da escrita de Brandão e a atualidade da obra Húmus, que foi recentemente traduzida em catalão por Anna Cortils.
O sentido profundo de amizade de Raul Brandão uniu-o, por exemplo, a escritores como Teixeira de Pascoaes, Raul Proença, Augusto Casimiro, Aquilino Ribeiro ou Vitorino Nemésio.
Raul Brandão concluiu os estudos liceais no Liceu Central do Porto, frequentou durante algum tempo o Curso Superior de Letras, em Lisboa, mas optou depois por fazer o curso de Infantaria da Escola do Exército, sendo em 1896 promovido a alferes. Casou aos 30 anos, em março de 1897, com Maria Angelina Abreu, 11 anos mais nova que o escritor, e não teve filhos.
Frequentou a boémia artística portuense do fim do século XIX, com ponto de encontro no ateliê do pintor Inácio de Pinho, fumava, como todos os homens da sua época, conheceu o poeta António Nobre. Brandão nunca deixou de passar regularmente temporadas na Foz até ao fim dos seus dias.
Depois de morrer em Lisboa, o seu corpo foi trasladado para o cemitério de Atouguia, em Guimarães, cidade que tem hoje uma biblioteca batizada com o seu nome.
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