Por: Cristina Valente
Foram três dias dedicados à literatura, onde a poesia esteve em destaque. Sessões que aproximaram os autores dos seus leitores, sessões de partilhas e histórias contadas na primeira pessoa.
Durante 3 dias Castelo Branco recebeu a 4ª edição do Festival Literário - Fronteira.
O festival contou com a presença de 21 autores, que participaram nas mais diversas sessões, na biblioteca municipal e nas várias escolas.
Nomes como José Eduardo Agualusa, Inês Pedrosa, Maria Manuel Viana e Patrícia Reis, Nuno Camarneiro e Jacinto Lucas Pires passaram pelo festival, atraindo o público de todas as idades à biblioteca Municipal.
A sessão especial com Manuel Alegre, na sexta-feira ao final da tarde, foi das mais participadas, esta sessão, foi uma viagem pelos momentos mais marcantes da vida e obra de Manuel Alegre .
À nossa reportagem, o poeta e prosador, falou da importância deste tipo de evento em cidades do interior do país, "a cultura não pode existir só na capital, é muito importante que em zonas como Castelo Branco - uma das grandes capitais do interior - haja iniciativas destas, sobretudo tendo como tema central a poesia, que é um dos grandes défices do nosso tempo".
Para Manuel Alegre vivemos um tempo de "ditadura de mau gosto" em relação à literatura "fala-se pouco de livros, os próprios jornais de referência, nem sempre falam da mesma maneira, porque há muitas seitas, que tomam conta das coisas e impõem os seus próprios gostos. Foi talvez sempre um bocado assim, mas neste momento é pior." afirma Manuel Alegre, que recebeu das mãos do autarca albicastrense, Luís Correia, uma distinção pela sua carreira, e participação no festival.
O festival encerrou sábado, com Renato Filipe Cardoso, que apresentou a sua Missa Mal Dita, um espetáculo de poesia dita que homenageia os clássicos da poesia satírica e alguns textos contemporâneos num clima informal e de interação com o público.
Logo de seguida, a última sessão contou com a presença de Luís Represas, que recordou as suas memórias como cantor, compositor e escritor. Luís Represas falou das primeiras letras dos Trovantes, e da sua própria forma de escrever. Uma sessão onde a música não podia faltar, onde se ouviu entre outros temas "Feiticeira" e onde se fechou com "Ser Poeta".
José Pires, comissário do Festival, diz que o Festival atingiu a maioridade
"Se há algum momento em que uma pessoa se sente realizada, por ter um dia tido a ideia de fazer um festival literário em Castelo Branco, é agora. Com esta sessão com o Luís Represas, depois destes três dias extraordinários, eu acho que o Festival, se já tinha crescido este ano atingiu a maioridade. Só pode a partir de agora ser melhor." Afirmou José Pires.
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