Por: Diario Digital Castelo Branco
“O Jeremias era um monstro enorme, azul e tão feio que até as nuvens estremeciam e largavam chuva sem querer quando o viam passar. Tinha pelos nas orelhas, uma língua verde salpicada de pintas pretas, mãos com quatro dedos felpudos e unhas negras tão afiadas que conseguiam abrir latas sem esforço”.
“O Jeremias era um monstro enorme, azul e tão feio que até as nuvens estremeciam e largavam chuva sem querer quando o viam passar. Tinha pelos nas orelhas, uma língua verde salpicada de pintas pretas, mãos com quatro dedos felpudos e unhas negras tão afiadas que conseguiam abrir latas sem esforço”. É desta forma que começa o livro infantil “Venci-te, Jeremias!”, da autoria de Inês Cardoso (texto) e Catarina Alves (ilustração), cuja apresentação nacional decorreu este sábado, 19 de novembro, em Proença-a-Nova, concelho onde as autoras têm raízes familiares e afetivas.
João Miguel Tavares, cronista do jornal Público e também ele autor de livros infantis, fez a apresentação desta obra mas que foge ao tipo de literatura que os adultos fazem para as crianças com a única finalidade de os entreter ou adormecer. “Os melhores livros infantis são de autores que não os escrevem para as crianças mas para eles próprios”, histórias “em que os adultos tentam consolar os seus filhos, consolando-se a si próprios”, em que “falando dos medos deles, falamos dos nossos”. O Jeremias é esse medo que acompanha a protagonista desta história mas que, no fundo, está presente – em maior ou menor grau – na vida de miúdos e graúdos. “Não o podemos realmente matar mas podemos aprender a viver com ele”, adiantou João Miguel Tavares.
“É a ternura, não a coragem, que vence o medo”, lê-se no livro. Inês Cardoso, a autora do texto, assume o carácter autobiográfico do livro – que retrata a história de uma menina que muda de cidade porque a mãe muda de trabalho e nem o pai nem os amigos a acompanham nessa mudança – mas refere que a protagonista “não tem nome para que qualquer pessoa se possa colocar no lugar dela”. Na vida, os Jeremias aparecem de vez em quando e, nessas ocasiões, “que nunca o azedume dê cabo da ternura que há em mim”.
Catarina Alves, que fez as ilustrações do livro, explicou que o processo criativo funciona como um corte e costura do texto, que faz com que haja margem de manobra para criar, apesar de condicionado pelas descrições do texto. Partindo de papel de algodão com textura e carvão, surgiu o Jeremias, um monstro que depois foi colorido recorrendo a meios digitais, e as restantes imagens do livro. “São ilustrações mais realistas do que propriamente animadas, exceto a figura do monstro que, numa fase inicial, foi inspirada no imaginário dos dinossauros. Tal como o livro, também as imagens se adequam tanto a um público infantil como adulto”, referiu a ilustradora.
O presidente da Câmara Municipal de Proença-a-Nova destacou o facto de as autoras se terem conhecido profissionalmente no Gabinete de Comunicação do Município e o papel da amizade que também é importante para ultrapassar os medos da vida. “Há muitos Jeremias que vamos vencendo”. João Lobo anunciou ainda que a Câmara vai oferecer o livro como prenda de Natal aos alunos do 1º Ciclo do concelho.
“Venci-te, Jeremias!” é editado pela AL- Antunes Livreiros.
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