Europeias: Abstenção aumenta eleição após eleição

Os eleitores são chamados a escolher os representantes portugueses no Parlamento Europeu no dia 26 de maio, em eleições que têm registado cada vez menos participação, com a abstenção a subir para um recorde de 66,2% em 2014.

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  • Publicado: 2019-04-27
  • Autor: Diário Digital Castelo Branco

Os eleitores são chamados a escolher os representantes portugueses no Parlamento Europeu no dia 26 de maio, em eleições que têm registado cada vez menos participação, com a abstenção a subir para um recorde de 66,2% em 2014.

Nas primeiras eleições europeias realizadas em Portugal, em 19 de julho de 1987, a abstenção tinha sido de 27,6%, tendo essas eleições coincidido com as legislativas que ditaram a primeira maioria absoluta do PSD então liderado por Aníbal Cavaco Silva. Curiosamente, a abstenção nas eleições para a Assembleia da República foi ligeiramente superior (28,4%).

Logo dois anos depois, em 18 junho de 1989, 48,9% dos eleitores não participaram na votação para os deputados no Parlamento Europeu e nas eleições seguintes, no dia 12 de junho de 1994, a indiferença dos eleitores em relação a este ato eleitoral aumentou de novo, com a abstenção a atingir 64,4%.

Esta percentagem viria, no entanto, a recuar no ato eleitoral que se realizou no dia 13 de junho de 1999, quando "apenas" 60% dos eleitores não foram votar, depois de uma atualização dos cadernos eleitorais feita em 1998.

Cinco anos depois, chamados de novo a escolher os seus representantes no Parlamento Europeu no dia 13 de junho de 2004, 61,4% dos eleitores ignoraram o ato eleitoral, percentagem que viria ainda a subir para 63,2% em junho de 2009.

Nas últimas eleições europeias, que tiveram lugar em 25 de maio de 2014, a abstenção atingiu um novo recorde em Portugal, subindo para 66,2%, a mais elevada de sempre em atos eleitorais, sendo apenas superada pela taxa de abstenção registada no referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez que teve lugar a 28 de junho de 1998 (68,1%).

Nesse ato eleitoral, os concelhos de Ribeira Grande, Vila Franca do Campo, Lagoa, Ponta da Delgada e Vila do Porto, na Região Autónoma dos Açores, foram os campeões da abstenção.

No concelho de Ribeira Grande, o que teve menor participação, a abstenção atingiu 85% em 2014, quando nas primeiras eleições em 1987 tinha registado uma não participação da ordem dos 50,8%.

Seguem-se os concelhos de Vila Franca do Campo (84,2%), Lagoa (83,9%), Ponta Delgada (82,7%) e Vila do Porto (81,4%).

Em sentido inverso, Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, foi o concelho que registou menor abstenção, com 45,6%, sendo um de quatro municípios do país com abstenção inferior a 50%.

Sardoal e Mação, ambos no distrito de Santarém, são os municípios que se seguem na lista com os valores mais baixos de abstenção, com 48,7% e 49,5%, respetivamente.

Ainda abaixo dos 50% de abstenção está o concelho de Avis, distrito de Portalegre, com 49,7% de abstenção.

A subida da abstenção registada em Portugal em eleições para o Parlamento Europeu segue a tendência verificada no conjunto dos 28 países da União Europeia (UE).

Segundo dados do Parlamento Europeu, a participação eleitoral na UE foi em 2014 de 42,6%, quando em 2009 tinha sido de 42,97%, em 2004 ficava em 45,4%, em 1999 era de 49,5%, em 1994 tinha ficado em 56,6% e em 1989, na altura com apenas 12 Estados-membros, a taxa de participação era de 58,4%.

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