Por: Diario Digital Castelo Branco/Lusa
O presidente da Comissão Nacional de Saúde Materna, da Criança e do Adolescente defendeu hoje a manutenção de algumas maternidades com menos de 1.500 partos por ano, principalmente nas zonas do interior do país, nomeadamente, as maternidades dos hospitais da Beira Interior (Guarda, Covilhã e Castelo Branco)
O presidente da Comissão Nacional de Saúde Materna, da Criança e do Adolescente defendeu hoje a manutenção de algumas maternidades com menos de 1.500 partos por ano, principalmente nas zonas do interior do país.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o encerramento dos blocos de partos com menos de 1.500 nascimentos por ano. Em Portugal, nos últimos 20 anos, já foram encerrados cerca de 140.
Mas há maternidades que “têm de continuar a existir para servir as comunidades”, disse à Lusa Bilhota Xavier, que preside a comissão que elaborou a “Carta Hospitalar Materna, da Criança e do Adolescente”, que pretende ser “um contributo para consolidar e, se possível, melhorar os excelentes resultados obtidos na área da saúde materna e pediátrica em Portugal nos últimos 20 anos”.
“Nas zonas principalmente do interior não faz sentido propormos encerramentos de blocos de partos porque têm de continuar a existir para servir as comunidades da sua área”, justificou.
Nestes casos, a comissão propõe a “discriminação positiva dos serviços de obstetrícia e pediatria” desses hospitais, garantindo a formação contínua dos profissionais.
O responsável apontou o caso dos hospitais do interior do Alentejo (Beja, Évora e Portalegre) que têm menos de 1.500 partos: “Não faz sentido encerrar qualquer um deles porque há um serviço à comunidade que tem de ser mantido”.
O mesmo acontece com os hospitais da Beira Interior (Guarda, Covilhã e Castelo Branco) que juntos têm cerca de 1.700 partos.
“Neste caso, provavelmente, dois serão suficientes, mas o que é preciso é que mantenham uma boa resposta às suas populações e que a distância entre o local da residência e o hospital não ultrapasse os 60 minutos”, frisou.
A comissão defende também a manutenção do bloco de partos e do serviço de pediatria no hospital de Bragança.
Há outras zonas do país em que é “vantajoso” que haja integração de serviços como acontece em Coimbra com as maternidades Bissaya Barreto e Daniel de Matos, e em Lisboa com as maternidades Alfredo da Costa e Magalhães Coutinho e o serviço de Neonatologia do Hospital D. Estefânia que devem ser integrados num único departamento.
Contudo, Bilhota Xavier defendeu que as equipas da MAC “não podem ser desmembradas”.
“Terão que manter as equipas seja em que edifício for e com que nome for”, disse, lembrado que equipas “com o saber e a qualidade que existe na MAC não se consegue em meia dúzia de dias nem em meia dúzia de anos”.
Para o pediatra, a construção do hospital oriental de Lisboa seria uma “boa resposta” para todas estas questões e “rapidamente o país recuperaria o investimento feito”.
“Só com o dinheiro que se gasta na manutenção dos velhos hospitais de Lisboa em três ou quatro anos pagava-se o novo hospital oriental de Lisboa”, elucidou.
Bilhota Xavier defendeu ainda que os serviços do Serviço Nacional de Saúde não devem ser de “livre procura” pelos portugueses.
“Sendo um SNS que é complementar dos diferentes níveis de saúde, na nossa perspetiva não faz sentido que qualquer cidadão procure o serviço que bem entende porque isso põe em causa toda a estrutura de um serviço nacional de saúde em termos de referenciação para serviços que devem ser fim de linha e não de procura indiscriminada por qualquer cidadão”, justificou.
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