Por: Diário Digital Castelo Branco
Três oficinas levaram diálogo científico, desafios matemáticos e atividades práticas às escolas do 1.º ciclo, no âmbito do programa “Cientista Regressa à Escola”.
O matemático Filipe Ramos, investigador do Centro de Estatística e Aplicações da Universidade de Lisboa (CEAUL) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e professor na Universidade Europeia, natural do Orvalho, regressou recentemente ao concelho de Oleiros para dinamizar um conjunto de oficinas científicas dirigidas a alunos do 1.º ciclo do ensino básico.
Segundo a Faculdade, o antigo aluno da Escola Básica (EB) 1 do Orvalho, Filipe Ramos refere que o interesse pela Matemática nasceu ainda no 1.º ciclo e se foi consolidando ao longo do percurso escolar, levando-o a licenciar-se em Matemática (Ensino) na Ciências ULisboa.
A iniciativa decorreu nos dias 12 e 13 de janeiro, no âmbito do programa “Cientista Regressa à Escola”, promovido pela associação Native Scientists. Envolveu três escolas básicas do concelho – EB1 do Estreito, EB1 de Oleiros e EB1 do Orvalho – permitindo às crianças contactar de forma próxima e participativa com a ciência, através de atividades práticas de Matemática e Estatística, adaptadas às diferentes idades e realidades escolares.
Ao longo das sessões, Filipe Ramos procurou desmistificar a ideia de que a ciência é algo distante ou reservado a especialistas, mostrando que a Matemática pode ser simples e próxima, e que, com as perguntas certas (adaptadas à faixa etária), qualquer criança consegue explorá-la com confiança, de forma intuitiva, lúdica e acessível.
As oficinas foram organizadas em três momentos: um primeiro momento de “quebra-gelo”, com conversa sobre a escola das crianças e a apresentação das instituições onde o investigador trabalha (momento em que o espanto se via no rosto das crianças ao verem a dimensão dos edifícios de Ciências ULisboa, alguns chegaram mesmo a dizer que “quero estudar numa escola assim quando for grande”); depois, um diálogo orientado sobre o que faz um cientista (e como o imaginam fisicamente — com respostas hilariantes), onde trabalha e como a ciência contribui para a sociedade; e, por fim, uma componente prática preparada pelo Filipe Ramos intitulada “Laboratório do Acaso”.
Na componente prática, as crianças foram convidadas a perceber que a sua sala de aula também pode ser um “laboratório”: um espaço para observar, experimentar, registar resultados e tirar conclusões através de atividades com dados. Nesta fase, realizaram experiências e jogos simples, explorando conceitos matemáticos como o acaso, a repetição de experiências e a tendência para o equilíbrio dos resultados, numa introdução intuitiva à Lei dos Grandes Números, reforçada com recurso a ferramentas computacionais. O objetivo foi mostrar que a ciência nasce quando juntamos curiosidade e método: fazer perguntas, experimentar e aprender com o que os resultados nos dizem.
“Não aceitei o convite para ‘mostrar’ um percurso pessoal. Encarei estas ações com um propósito humano e uma missão educativa: aproximar as crianças do concelho de Oleiros da ciência e do ensino superior, em contextos onde estas oportunidades nem sempre chegam com a mesma regularidade que nos grandes centros urbanos", salienta Filipe Ramos.
Para o docente, o regresso à EB1 do Orvalho, a sua antiga escola primária, teve um significado particularmente especial. Para além da dimensão educativa, a iniciativa assumiu um forte caráter simbólico e comunitário, reunindo alunos, professores (incluindo a sua antiga professora primária, hoje já aposentada), familiares (a convite da Native Scientists) e representantes do poder local, num momento de partilha entre gerações e de valorização do papel da escola na construção de percursos académicos e científicos.
O programa “Cientista Regressa à Escola” tem como missão aproximar investigadores das suas comunidades de origem, contribuindo para a promoção da literacia científica, o alargamento de horizontes e a redução de desigualdades no acesso a iniciativas de divulgação da ciência.
Como sublinha Filipe Ramos, “o que me moveu foi o espírito do próprio programa: criar contacto direto, despertar curiosidade e mostrar que a ciência não é algo distante. Ver o entusiasmo das crianças e sentir que, por momentos, a sala de aula se transformou num pequeno ‘laboratório’ foi verdadeiramente marcante. A curiosidade e o talento existem em todo o lado”.
A iniciativa contou com o envolvimento do Agrupamento de Escolas Padre António de Andrade, da Câmara Municipal de Oleiros, da Junta de Freguesia do Orvalho e com o apoio institucional da Ciências ULisboa, que disponibilizou materiais pedagógicos para as atividades. Filipe Ramos deixa a todas as entidades uma palavra de reconhecimento e agradecimento.
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