Por: Diario Digital Castelo Branco
O Museu do Canteiro vai ter expóstas, de 29 Setembro a 4 Novembro, algumas obras artísticas de Lena Gal
O Museu do Canteiro vai ter expóstas, de 29 Setembro a 4 Novembro, algumas obras artísticas de Lena Gal
O texto escrito pela autora, enviado ao DDCB, explica o sentido artístico das obras
“Ao olhar as figuras femininas de Lena Gal, simultaneamente fortes e frágeis, sabedoras e ingénuas, antigas como a Terra mas, ao mesmo tempo, sempre acabadas de nascer, ocorre-me este poema que fiz há anos e que fala de… pedras.
A analogia não surge por acaso. Pedras e mulheres têm muito em comum. Antes de mais, são, umas e outras, símbolos maiores de uma misteriosa unidade harmónica e natural própria dos primórdios, sábia matéria de que é feito o que é fundamental e eterno. Se as pedras são serenas guardiãs e testemunhos do Tempo, reside nas mulheres a inquebrantável força que faz a humanidade avançar, preservando a memória desse Tempo e acrescentando-lhe Vida. Mulheres e pedras são cúmplices, entendem-se bem porque falam a mesma língua: a das essências.”
PEDRAS MUITAS
Na pedra mais branca
recosto a cabeça.
Que ninguém me impeça
de ver nela as penas
de mil almofadas.
Marítimas penas
de gaivotas mansas,
rasando enseadas
numa lenta dança.
Que hoje me adormeça
esta luz quebrada,
esta eterna esperança.
Maresias plenas
só o sonho alcança.
Na pedra mais pura
que o vento esculpiu,
encontro o enlace,
revelo o segredo
descoberto a medo
com dedos de frio:
inscrevo-lhe um nome,
como se o calasse.
Se o tempo parasse
agora, o navio
que na noite escura
contigo partiu,
talvez me levasse,
talvez naufragasse
na pedra mais dura
que jamais se viu.
Nas pedras que vejo
descanso o olhar.
Pedras muitas, tantas,
tão silenciosas
e tão preciosas
que só um desejo
as sabe contar.
Ana Vidal
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